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Património
OBRA FEITA E GENTE COM NOME A Igreja do Bom Jesus de Matosinhos destaca-se, como construção mas também pelo seu significado, entre os muitos monumentos de Matosinhos. Admirável edifício de traça renascentista, começou a ser construído no século XVI, embora tenha sido alvo de inúmeras modificações ao longo dos anos. Não pode deixar de se referir, no século XVIII, as intervenções do destacado entalhador Luís Pereira da Costa, a quem se devem as obras de recuperação e acrescento da capela-mor, e do famoso Nicolau Nasoni, para restauro da igreja. A combinação de volumes, estruturas e pormenores, as duas torres sineiras, o frontão quebrado e a porta principal são notáveis. Lá dentro, repartido em três naves, relevo para o impressionante altar-mor e a sua talha dourada, e para o nicho com a Imagem de Cristo crucificado, do século XII ou XIII. - Para o visitante que aprecie passear pela história dos lugares, merece também visita o Senhor do Padrão, erguido no lugar do Espinheiro, onde, segundo a lenda, a imagem de Cristo crucificado deu à costa. Pensa-se que esta construção barroca date do século XVIII. No interior, ressalta a imagem do Bom Jesus, em cuja base está inscrita a data de 162 (124 da era cristã), supostamente quando foi encontrada a imagem incompleta, e o número 50, referente ao número de anos que passaram até ser encontrado o braço que faltava. Terra antiga e rica, Matosinhos tem muitos outros pontos dignos de visita. Por exemplo, a Biblioteca Florbela Espanca, a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, e as capelas de Santo Amaro, de São Roque ou da Misericórdia, para não ser exaustivo. Mas, como já se disse, Matosinhos tem também os olhos postos no futuro. E isso reflecte-se na obra erigida, nas construções mais recentes. Neste caso, talvez se possa destacar o próprio edifício dos Paços do Concelho, inaugurado em 1987 e da autoria do aclamado arquitecto Alcino Soutinho. É um marco da moderna arquitectura lusa, vizinho do antigo palacete do Visconde de Trevões, actualmente Biblioteca Municipal. Intimamente ligada a esta terra, a poetisa, alentejana de nascimento, é uma das muitas personalidades que cá deixaram marcas profundas. Sem menosprezar outros, salienta-se igualmente o poeta António Nobre, o pintor Augusto Gomes, o pensador republicano Basílio Teles, o ensaísta Óscar Lopes, o ministro Passos Manuel e o mundialmente reconhecido arquitecto Siza Vieira. Nascido em 1933, Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira estudou Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto entre 1949 e 1955. O seu prestígio é tão grande como o seu talento, sendo já uma lenda viva da cultura portuguesa. Foi professor visitante, por exemplo, no Politécnico de Lausana (Suíça) e nas universidades de Pensilvânia e de Harvard, ambas nos Estados Unidos. Os seus trabalhos e exposições estão espalhados por Portugal e pelo mundo. Vencedor de vários concursos internacionais, recebeu incontáveis distinções, das quais se poderá relevar, quase ao acaso, a Medalha de Ouro de Arquitectura do Conselho Superior do Colégio de Arquitectos de Madrid, a Medalha de Ouro da Fundação Alvar Alto, o prémio Prince of Wales da Universidade de Harvard e o Prémio Europeu de Arquitectura da Comissão das Comunidades Europeias / Fundação Mies van der Rohe. |
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